tentativa de organização I

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

exatos 31 min

porque um "cenas do próximo capítulo"? Deixei espectativas nos leitores e terei necessariamente que falar sobre algo que prometi...

panqueca de maçã
não foi simplesmente isso. Em primeiro lugar, era maçã verde. Isso muda tudo, pois o azedinho predomina (calibrado pelo limão que ainda por cima serve como entrave da oxidação - pra quem não sabe, o limão não deixa a maçã ficar escura).
A massa, pelo que parece, é bem simples. Não vou aqui ficar dando a receita pois não fui eu quem fez. Mas sei que vai o leitinho e o ovinho... (aqueles! - para entender leia o post abaixo). Enfim... que massa!! Formando par com o iogurte, parecia um manjar.... derretia na boca... hummm.

*Sabe aquela sobremesa com que se sonha? Eu sonho com essa: panacota. Não qualquer uma. Tive a sorte de ter uma amiga cuja mãe faz uma das melhores massas da cidade e, ainda por cima, a melhor panacota. E digo que virou melhor ainda pelo fator psicológico: ela parou de fabricar e a bichinha virou uma raridade!!!*

Então... a massa da panqueca tinha essa pegada panacota de ser... algo incrível.
Coberta com as maçãs azedinhas, o açúcar levemente queimado na frigideira e posteriormente flambado no rum e uma salpicada de canela... divina!
Quem fez? Como fazer? Pergunte à miss kitchen que ela sabe...
______

Não foi nenhum drama falar da panqueca... pelo contrário, o assunto traz ótimas lembranças, olfativas, gustativas...
de fato, vou aprendendo cada vez mais com Isabel Allende (e inconscientes seguidoras), que o que conta realmente é um todo, que começa no valor que se dá aos alimentos (às vezes desde o momento em que são extraídos do seu ambiente natural, em outras deve-se esquecer completamente a origem daquilo - caso de bichinhos, fungos, etc) e passa por toda a forma como é preparado, curtido, vivenciado. Enfim, tudo tem seu tempo. Acho que é esse o grande segredo da cozinha, pelo pouco que sei.
______

Talvez isso seja o grande segredo da vida, ou o grande aprendizado. Maturidade me parece cada vez mais ser a sabedoria com relação ao tempo.
______

Bom, vocês pediram, tô aqui falando sobre a vida... ou perdendo tempo! O que é esse tempo virtual que tem a capacidade de nos sugar do mundo real??? Socorro!
______

Vou viver um pouco.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

sabor da fazenda

Quem faz iogurte em casa sabe que pra isso não pode ter pressa. A natureza tem seu tempo, não há como fazê-lo de outra forma.

Faz um tempo que meus iogurtes desandavam. Às vezes por querer encaixar sua feitura no meio de um dia corrido, entre um almoço e uma escovação de dentes. Definitivamente, isso não funciona.
E mesmo quando deram certo em termos de consistência, meus últimos iogurtes teimaram em preservar uma acidez um pouco acima do normal.
"Não estou acertando a temperatura", pensava eu, ou que devia estar colocando a colherada do iogurte inicial enquanto o leite ainda estava muito quente, então os lactobacilos ficam muito agitados e soltam ácidos a mais... sei lá. Vou dizer que não sou muito especialista ou estudiosa dos efeitos químico-celulares de microorgânismos em termos culinários, sou mais dependente da minha intuição, mesmo.
Pensava que tinha perdido a força intuitiva, mas os iogurtes estavam comíveis... (e qual a graça de comer um iogurte "comível"?)

Até que tive a oportunidade de passar um feriado de carnaval no retiro de um sítio ao sul de Minas. Eis que me deparo, logo na viagem de ida, com meu lado bezerro-recém-desmamado diante do famoso Leite na Pista e seu cardápio variado de... leites! Ao avistar no cardápio a palavra "leite" e as inúmeras possibilidades que dele podem surgir, e que se encontravam enumeradas embaixo, como "leite com toddy", "leite com mel", "leite cremoso"... me vi salivando, literalmente babando com a possibilidade de degustar o puro leite da vaquinha, como quer que fosse.
Fui no básico achocolatado, e nem foi aquela degustação dionisíaca, pois a dona do sítio aonde estaríamos dali pouco tempo informou que neste destino encontrariam-se vaquinhas de verdade à nossa disposição para explorarmos o sumo de suas tetas.
Por mais aflorado meu instinto mamífero naqueles instantes, não podia esquecer-me o lado ruim do leite no organismo adulto de um ser humano, e meus acompanhantes ajudavam, comentando que o fato de uma mulher de 50 kg beber o alimento que serve para nutrir um bezerro 4 vezes maior que ela implicaria em fungos e outras substâncias não muito bem-vindas ou cheirosas na digestão desse alimento.
Mas isso é simples, só ouvir um pouco o corpo que dá pra dizer chega à lactose e beber só um copo.

Mas o que me despertou não foi a volta à infância em termos uterinos, foi a lembrança do gosto de um alimento que, além de muito saboroso, acabou de ser fabricado naturalmente. Enfim, quem já colocou a caneca com chocolate debaixo da teta de um bicho desses (seja vaca ou cabra) e experimentou a espuma formada pelo leite recém-saído, na temperatura ideal, sabe do que eu estou falando.

E com esse leite, ainda morno, com cheiro de gordura de leite, puro creme, que não faz lembrar em momento algum a palavra colesterol, é que fiz o melhor iogurte da minha vida. Um verdadeiro manjar dos deuses.
Algo que só especialistas sabem desfrutar.


próximo tópico: a panqueca de Maçãs feita com leitinho da vaquinha e ovinho da galinha.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

se fué

Por que tudo o que é bom acaba logo? Talvez a resposta seja: pra deixar o gostinho na boca, provocar boas lembranças, suscitar outras coisas boas...
Ou porque simplesmente... é assim.


É preciso começar a perder a memória, mesmo que das pequenas coisas, para percebermos que é a memória que faz nossa vida [...] Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nosso sentimento, até mesmo nossa ação. Sem ela, somos nada [...] (Só posso esperar pela amnésia final, a que pode apagar toda uma vida, como fez com a de minha mãe [...]

Luis Buñuel



Em resposta a "o que era doce" (do sapato ao elefante), de uma grande amiga inspiradora e à memória da sua pequena Margot.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

"Tardio pero no mucho"

No ápice das férias, em momento de profunda reflexão e revisão das coisas e sentimentos, me inspirei e escrevi, em 5 minutos (o que para uma mão direita recém-habilitada trata-se de uma grande vitória!), meus votos de feliz ano novo que tanto quis mandar aos amigos no final de 2007 e a correria e falta de espaço interno para tanto me impediram de fazê-lo.
Ao retornar, abri minha entupida caixa de e-mails e todas as mensagens de "feliz 2008" ou coisas semelhantes, pareciam antigas e exigiam um esforço tremendo para entrar no clima... então cheguei à conclusão de que havia passado a hora de enviar a minha.
Decidi, então, publicá-la no blog, mais como uma forma de registro, sem ter que obrigar ninguém a passar por esse tipo de reflexão tardia (ou não...)
Aos interessados:

1 2008
em que estejamos cada vez mais próximos do sensível e que isto e a sinceridade não fiquem superficiais como às vezes acontece em círculos sociais... onde nós, cerne das classes bem-afortunadas financeira ou culturalmente (ou ambos), nos damos ao luxo de nos vangloriar de alguma sensibilidade sem sentí-la, ou de sinceridade sem de fato estarmos sendo... com nós mesmos.

Que sejamos sinceros com ninguém mais que nossas próprias almas e sensíveis com quem e o que amamos e para identificar quem está por perto e nos ama. Pois um dia me disseram: "Deus está em quem ama e não no ser amado".

Deixe de lado o cristianismo* e toda a religião que o privar de suas necessidades mais genuínas, reais e sinceras. Deixe a raiva vir quando é chamada; a inveja quando lhe causar faíscas criativas; a preguiça, tão necessária ao movimento de acordar; a gula, que te fará gozar os prazeres irresistíveis, e outros que um dia lhe disseram serem pecados e, como se não bastasse tal fardo, imediatamente são relacionados à culpa - esta sim serve para destruir o homem.
No lugar dela, cultive a reflexão (mesmo que tardia...), o aprendizado (muitas vezes tardio...) e o amor (não deixe para mais tarde o coitado - tão citado que perde seu às vezes tão óbvio significado).
Obrigada por estarem comigo no ano que passou, compartilharem minhas alegrias e frustrações (e quantas!), uns mais próximos, outros mais distantes, mas que estiveram presentes de alguma forma ou porque gostaria que estivessem e que continuem nesse ano novo, e consequentemente nos que vêm adiante.
Como a vida é feita de ciclos e precisamos deles para nos rever e planejar o que está por vir, desejo um 2008 do caralho pra vocês! Quebrem tudo! Vamos dar ao mundo o que ele merece por estarmos aqui, sem micharia! Vamos ao que viemos!


*com respeito a toda e qualquer religião, mas, mais ainda, ao corpo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Se blog desse dinheiro eu diria: "nossa, não acredito que ela é paga pra falar tanta besteira..."

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

prazeres e angústias

agora devo uma homenagem à uma moça que sei quem é, mas seu blog não leva seu nome. Então não sei se devo publicá-lo aqui (o blog sim, o nome não). Quem for espertinho vai encontrá-lo na coluna ao lado. Só posso dizer que ela cozinha e canta muito bem. Sem falar das composições, que para mim e para muitos são novas, mas tenho a impressão de que me acompanham há muito tempo.


antes de começar devo dizer que não gosto de blogs, porque não gosto de ler nada na tela do computador que não seja curto e objetivo. Ainda não sei se o problema é a interface ou meus 0,25 de astigmatismo. Deixei de ler jornal por causa disso, por que casei com um homem que tem facilidade para ler a Folha online.

Comer bem pra mim é uma coisa complicada e necessária (necessária, mas complicada).


Necessária porque, bom... seria um novo e imenso capítulo!


Complicada porque tenho duas dificuldades (mais duas...): ainda não encontrei um lugar apropriado para fazer compras. E apropriado significa: perto de casa (tipo 5 quadras no máximo), com preço justo, horário razoável e legumes e frutas frescos.


Vou explicar. No raio de 1 km mais ou menos da minha casa temos:

2 pães de açúcar

1 quitanda

1 mercearia

1 futurama

1 casa santa luzia

1 mercado de pinheiros

1 padaria 24h


vc diz: que fartura! E eu digo: sim, se eu não fosse tão exigente... (ou chata)

agora olha os prós e contras de cada lugar:

pão de açucar - tem tudo, mas não tem tudo. Outro dia não encontrei lâmpada - ridículo; é 24H - isso sobe bastante no conceito, já que muitas vezes meu horário de fazer compras acaba excedendo 11 da noite...; as frutas e verduras de lá parecem de plástico e já vi uma bandeja com 4 tomates por 5 reais(!). Válido pelas promoções de vinhos e pelas degustações de cachaça em horários esdrúxulos.

quitanda - uma quadra de casa e eles entregam. Isso é liiiiindo... As frutas e verduras vêm frescas às 4 da tarde. Ir pela manhã é um risco de perder o apetite. Não tem uma variedade absurda, mas já comprei uma caixa de pêssegos lá (em época de pêssego, claro) que parecia um troféu na cozinha. Mas é mais caro que o pão de açúcar, e se vc precisa comprar um sabão em pó, ou detergente, melhor não olhar a etiquetinha de preço e ir com fé e coragem.

mercearia - tem cara de mercadinho do interior, por isso eu gosto, mas só ganha da quitanda por seu queijo minas.


futurama - só pra citar, porque é barato pra comprar mantimentos. Mas comprar mantimentos (alimentos não perecíveis?) dá uma preguiça...


casa santa luzia - lugar fantástico, cheio de judeus e peruas. Quando tenho dinheiro vou lá. Vale para queijos, coalhadas e uns mimos, tipo: geléia de manga com maracujá, pão integral com nozes... Um dia, quando minha cozinha estiver mais especializada, ainda vou comprar um azeite aromático.


mercado de pinheiros - este é imbatível, mas tem que ir com tempo e fecha às 18h... ficar escolhendo frutas, pechinchar, comprar tapioca, castanhas, passas, tempeiros... um programa para uma tarde (ou manhã) inteira.


padaria 24h - comprar pãozinho (quente é querer um pouco demais...) e leite à meia-noite é um luxo!


Enfim, tudo isso pra dizer que, para ficar satisfeita em termos de culinária caseira, acabo tendo que comprar em mais ou menos 4 lugares. Você já deve entender que em raros momentos da vida usufruo desta satisfação. Ou seja, nasci pra ser dona-de-casa e não virei. Ou: dançarina, fotógrafa, arte-educadora e dona-de-casa realmente não dá!!!!! Porque tem que fazer direito ou come no quilo ao lado (e olha que aqui perto tem muitos...)

Na verdade tive a sorte (ou o azar) de uma mãe sustentada pelo marido, que sempre teve muito tempo para coletar por mercados e lugares especializados da cidade frutas e verduras frescas, peixes, frango sem hormônio e especiarias dos melhores tipos e aromas e todo o cuidado de prepará-los com carinho e atenção para os filhos que, tratados a iogurte caseiro, cresceram e têm que lidar com a frustração de não conseguir conciliar liberdade com extrema qualidade..!


Ah, bem, vou repetir que poucos blogs me provocam o necessário empenho para lê-los, da mesma forma que é difícil encontrar livros que me dêem vontade de engoli-los, por isso indico aqui (pra facilitar a vida do leitor, vai): miss kitchen - fome de comer e Afrodite de Izabel Allende.

Ah, bem, e a segunda dificuldade para comer bem é que 99% das vezes que quero sair para comer (bem) não sei onde ir (uma mistura de muitas opções com nenhuma que satisfaça plenamente meu vazio interior). Por isso o blog aí acima veio em ótima hora. Mas melhor ainda seria ser sempre chamada para uma tarde de delícias culinárias caseiras... com bons amigos e bons aromas! (sintam-se intimidados!)

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

ritual

dispõe-se à mesa 1 bandeja (como aquelas de mergulhar fotos em processo de revelação - sabem, fotógrafos?), uma bacia desintegrada do equipamento de secar salada (enfim, isso tudo pode ser resumido a dois recipientes grandes, que caibam ambos uma mão inteira até o meio do antebraço, mas eis o que tenho disponível em casa), um pano de prato estendido embaixo dos dois, uma jarra e um copo.
Enche-se de água os dois recipientes grandes, um até a metade, o outro até 1,5 cm da borda. E a jarra até a metade.
Ferve-se uma chaleira cheia d'agua e pega-se no freezer duas bandejas de gelo. Despeja-se o gelo no segundo recipiente. E a água quente no primeiro.
Um tem que ficar gelado, o outro, quente - "temperatura de banho, ou 39, 40 graus", segundo o médico.
A chaleira fica na mesa, com mais um pouco de água que se deve ferver pra reserva. Um pouco de gelo também. O copo para se tiver que tirar um pouco da água pra não transbordar, se tiver muito quente, ou muito fria, e a jarra pra colocar água fria caso necessário.

Cronômetro (ou celular) à mão, podemos começar.

São 11 minutos no total.
mergulha a mão na água quente, ui, que quente, não pode ser muuuito quente porque a pele tá novinha. mexe, abre, fecha, flexiona, torce, ai! dói um pouco, calma, pega leve. deu 3 minutos. tira.
mergulha a mão na água gelada, dá choque! uuu, que alívio... relaxa o ombro. humm .pronto, 1 minuto.
põe de novo na água quente, ih, não tá tão quente mais, põe um pouco da chaleira. ui, que quente. mexe um pouco, relaxa o ombro. aí o minuto vira quase uma contagem de cabeça. mexe, mexe. pára de mexer um pouco! acho que não é bom mexer muito... sente, vai! ih! tá no segundo ou no terceiro? tá, acho que deu. 3 min.
1 minuto na água fria de novo, vc não deve estar aguentando mais, por que ela tá escrevendo tudo isso?? quem se importa? tá, deu.
água quente... lalalalalalalalala, liga pra alguém, organiza a agenda, ih! vai, relaxa o ombro, ufa.
O corpo todo mais relaxado. A respiração mais profunda.
ok. 3 minutos. Agora dá vontade de ficar mais. Só porque acabou... ok, vai, seca a mão, e começa o procedimento desmontagem. Ou deixa em cima da mesa porque mais tarde vou fazer de novo.
2x ao dia.